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Al Unser Ayslan, torcedor do América-RN que confessou assassinato (Foto: Reprodução)
Al Unser Ayslan, torcedor do América-RN que confessou assassinato (Foto: Reprodução)
Al Unser Ayslan, torcedor do América-RN que confessou assassinato (Foto: Reprodução)

A última  grande polêmica no nosso futebol foi a da torcedora de um time do sul falando ofensas racistas ao goleiro Aranha que resultou na exclusão do time do sul de uma competição nacional que dava vaga a competição internacional almejada hoje por todos os clubes de futebol brasileiros.

Esperei o tema sair um pouco da “moda” pra fazer uma análise sobre a posição dos tribunais esportivos com relação a um acontecimento que mexeu diretamente com nossa cidade e nosso coração regatiano. Quero registrar que não sou contra a punição dada ao clube, nem a possível punição que pode ser dada a torcedora, porém, mesmo sendo leigo no âmbito jurídico gostaria de levantar algumas indagações sobre a rigorosidade com que os tribunais esportivos trataram dois casos, que confesso aqui, me causou bastante estranheza.

Pois bem, no dia 07/07/2012 foi realizada no tradicional estádio alagoano Rei Pelé, popular e carinhosamente apelidado de Trapichão, uma partida válida pelo campeonato brasileiro da série B entre  CRB e América-RN. Partida essa vencida por goleada pelo CRB, mas, um acontecimento poucos minutos depois do apito final chamou mais atenção que o próprio jogo.

Clique e entenda: Torcedor do CRB é morto a tiro durante briga entre torcidas

Um inconsequente travestido de torcedor do time potiguar, que obviamente não tinha boas intenções, estava portando uma arma sem ter o direito legitimado legalmente e deflagrou disparos em direção a torcida regatiana, sem critério algum de alvo, ou seja, sua única intenção era crivar de balas um torcedor alagoano. Em sua mente não havia nenhuma determinada pessoa que lhe tivesse feito algum mal, além de torcer para o time que, há pouco ganhara o jogo.

Jônatas Daniel dos Santos, após ter tomado um tiro (Foto: Reprodução)

O jovem que o “destino” escolheu tinha o nome de Jônatas Daniel dos Santos, ele tinha 24 anos e sequer soube qual era a face de seu assassino e muito menos o que lhe fizera de mal para que lhe acontecesse algo tão covardemente brutal naquele momento. O jovem veio a falecer minutos depois na unidade do pronto socorro que fica a menos de 500 metros do local do crime.

Quero no momento chamar a atenção pra nós torcedores para o senso de proporção dos atos. Neste momento a sociedade de uma maneira geral através do STJD deu um basta ao racismo dentro dos estádios de futebol, puniu severa e exemplarmente  essa conduta excluindo o time da competição. Há quem diga que a que foi um exagero uma punição dessa proporção, eu digo que pequem pelo rigor que pela falta.

O Aranha, principal ofendido da história, vai seguir com sua vida normalmente após o caso. A torcedora cumprirá o que a justiça determinar e depois tentará apagar essa mancha da sua história. E o Jônatas? Só resta a lembrança e a saudade daqueles que o amam. Ok! Criminalmente o culpado cumpre pena atualmente pela covardia cometida, mas, se punimos um clube tão  duramente por uma atitude isolada de um torcedor no caso mais recente onde não há vítima fatal, qual o motivo de não fazê-lo no caso onde não existe espaço nem para uma possível retratação e conciliação entre os envolvidos? E digo que certamente que não há espaço porque ele foi tirado a força do Jônatas.

Certamente estão esperando mais um crime da “moda” para tomar uma atitude com relação as mortes envolvendo o futebol, que já estão na casa das centenas. Contabiliza-se até o dia 13/09/2013 cerca de 250 mortes diretamente ligadas ao futebol segundo matéria do “LanceNet! Violência entre as torcidas já matou 234 pessoas no Brasil, sendo 30 este ano, isso nós não estamos contabilizando o 2014 que ainda não terminou. Outro fato que é inquietante é que em outra matéria do “Lance!” Brigas ligadas ao futebol já fizeram 155 vítimas fatais em todo Brasil de 2012 foi constatado que até aquela presente data a maioria dos mortos tinha entre 15 e 30 anos.

Na melhor das hipóteses mais uma vida terá que ser tirada torpemente para que nosso tribunal se posicione com a rigorosidade e presteza que lhe é esperada. Rezo pra que essa vítima não seja no meu município ou estado já que não há, para nós torcedores, nenhum sinal de movimentação para este tipo de absurdo.

Respeitosamente em memória de Jônatas Daniel dos Santos.

Ps: Em nenhum momento passa pela cabeça deste autor fazer um monopólio da verdade dos fatos, mas apenas levantar questionamentos que julga serem relevantes para a sociedade.

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